Geraldo Leite Dias

História

        A História da Toxicologia em Minas Gerais se mistura à história do Hospital de Pronto Socorro João XXIII. O Hospital de Pronto-Socorro João XXIII - HPS, localizado no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, foi fundado em 1973. A unidade foi criada para atender à grande demanda da capital, na época. O Hospital Maria Amélia Lins, até então única unidade de atendimento emergência, já não conseguia atender o grande número de pacientes vindos da capital e Região Metropolitana. O HPS pertencia a Fundação Estadual de Assistência Médico de Urgências - Feamur e, em 1977, foi incorporado à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais - FHEMIG.

     Inicialmente, as investigações em toxicologia eram realizadas exclusivamente para exames de natureza médico-legal, como complementação natural nos casos de investigação policial, relacionados a envenenamentos e crimes. As analises eram feitas pelo químico-toxicologista Emilio Pinheiros de Barros, ficando a datilografia dos laudos a cargo da secretária Olga Coutinho Brandão, também secretaria da diretoria do Hospital João XXIII, que nessa época funcionava na Rua Tamoios, junto ao departamento de Medicina Legal. 

        Em 1964, após o desmembramento dos departamentos do HPS e de Medicina Legal, um serviço de apoio em toxicologia clinica foi surgindo naturalmente no PS, necessário na elucidação e complementação diagnostica. O serviço foi criando através do empenho e participação dos próprios plantonistas, especialmente dos clínicos e pediatras.

      O Dr. Geraldo Leite Dias, então médico clinico plantonista da equipe C elaborou uma serie de variadas fichas toxicológicas, compiladas através de publicações médico-científicas, com o intuito de orientar os plantonistas do hospital e servir como fonte imediata de consulta. Mais tarde, as fichas foram utilizadas também para orientação a  outros médicos, inclusive do interior do estado, que por telefone, solicitavam informações para atendimentos dos casos de acidentes relacionados a ingestão de plantas e comprimidos de varias origens e indicações. Data da mesma época, a criação da "comprimidoteca", na qual vários comprimidos eram dispostos em um móvel com gavetas separados em ordem de identificação, por critérios de cor, forma e tamanho, para serem utilizados por métodos comparativo perante aqueles comprimidos trazidos ao hospital em caso de acidente por ingestão, principalmente por crianças.

         Esse pioneiro da Toxicologia clínica no estado de Minas Gerias, Dr. Geraldo Leite Dias, elaborou ainda um mostruário de animais peçonhentos, como cobras, escorpiões e aranhas, que ficavam preservados em vidros com solução formolizada com a finalidade de permitir a identificação pelos pacientes, do tipo de animal que fora o responsável pelo acidente. O fato foi notoriamente importante, uma vez que o tratamento antiveneno deve ser especifico a cada espécie. Com sua prematura morte, o dr Geraldo Dias Leite deixou ao HPS um legado histórico em relação à toxicologia clínica.

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